Conversando com Fred sobre co-criação.
Por Gilberto Jr, dia 11/02/07.Li o artigo do Fred no webinsider sobre co-criação e comentei aqui. Nesta minha postagem ele fez um interessante comentário, que destaco abaixo, continuando a conversa:
Existe uma diferença muito grande na forma como os usuários participam do desenvolvimento do projeto entre a Wikipedia e o Delicious, por exemplo.
Ambos são considerados Web 2.0, mas só a Wikipedia dá a liberdade de co-criação com usuários. O criador do Delicious, Joshua Schachter, mantém uma lista de email ativa e participa de canais de IRQ para discutir com usuários e amigos sobre a ferramenta. Isso considero como incluir a participação do usuário, mas não co-criar. Os usuários não podem sair adicionando ou extendendo funcionalidades ao Delicious diretamente. Na Wikipedia, embora dependa da aprovação de outros usuários da comunidade administrativa, a mudança é possível.
A fase dos usuários já é um grande avanço em relação à fase dos funcionários. Entretanto, precisaremos, como desenvolvedores, abdicar de muito mais poder para chegar na fase de co-criação.
Entre os muitos tons que se pode usar na criação de um software, há os dois extremos: a criação em que o chefe manda e define tudo que o desenvolvedor faz, e na outra ponta as comunidades que desenvolvem software livre, onde tudo é feito pelos próprios usuários do programa.
Talvez o primeiro exemplo seja zero em “co-criação”, e o último seja totalmente co-criação. Mas você não concorda que pode haver co-criação, ou a participação ativa do usuário no processo de criação, em modelos que não são tão radicalmente abertos, num caminho do meio ?
Pode até ser que envolver o usuário na criação apenas sugerindo e propondo, quando quem decide mesmo é a empresa, não seja mesmo co-criação, mas eu acredito que esta abordagem é muito mais aberta e focada no usuário do que o modo tradicional.
Penso que cada coisa tem o seu lugar… A wikipédia é totalmente aberta e colaborativa, já a wikimedia é uma empresa dos mesmos criadores da wikipédia, mas sem uma abordagem tão aberta. Tudo depende do que é definido como resultado.
Se for resultado financeiro, talvez seja melhor manter mais controle sobre o produto, ainda que tendo foco no usuário. Se for uma prova de conceito e um projeto sem fins lucrativos como é a wikipédia, até por motivos financeiros é melhor ter uma estrutura aberta, na qual os usuários possam colaborar melhorando o software sem custos operacionais para a instituição que administra a comunidade.
O fato é que mesmo em empresas mais tradicionais, pode-se aproveitar a inteligência coletiva para ajudar nas tomadas de decisões e isso acaba sendo, mesmo que em um nível muito menor, um certo tipo de co-criação, na medida que há alguma participação dos usuários.
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12/02/07 às 2:29
Se eu altero a ferramenta que estou usando no momento em que uso, sou co-criador dela, se não posso fazer isso, sou apenas usuário.
A fase de usuário representa um movimento no sentido de reunir os processsos de produção e uso, mas ainda é “design centrado no usuário” e não “design feito pelo usuário”, co-criado com um mediador (designer) ou não.
A co-criação de fato não acontece quando o modelo se baseia na exploração comercial da inteligência coletiva, vide os exemplos no final do artigo original. Mas, o fato de não poder ser explorada comercialmente por uma empresa com fins lucrativos não significa que não seja viável.
A questão da autoria é delicada, pois está diretamente ligada ao lucro. Quem produz ou quem veicula é quem tem que ganhar?
12/02/07 às 18:52
Oi Fred,
Concordo com o que você disse. Quero comentar isso:
“Quem produz ou quem veicula é quem tem que ganhar?”
Aí caímos novamente no objetivo do projeto em questão. Se há co-criação, nos moldes que você descreve, não seria justo que uma só pessoa lucrasse com o trabalho de todos os outros.
Se, por outro lado (o trocadilho aqui não é por acaso), uma empresa tem todo o trabalho de desenvolver o sistema que ajuda os usuários a produzirem conteúdo para seu (do usuário) próprio benefício, é justo que haja no mínimo um compartilhamento, entre a empresa e os usuários, do lucro obtido. É o caso do Adsense, e também do Outrolado.com.br
Mas em casos como a Wikipédia, assim como em outras instituições sem fins lucrativos como organizações religiosas ou ONGs, é natural que a comunidade que se vê estimulada a participar e vê valor no projeto atue também administrando e cuidando de todos os seus aspectos, inclusive a programação de um software, a criação de um site, ou a construção de uma sede física.
Você pensa que a co-criação possa ser utilizada por empresas em projetos com fins puramente lucrativos? Qual seria a motivação dos usuários para participarem?
Eu penso que em qualquer destes é necessária uma estrutura hierárquica funcional que viabilize a organização da comunidade.
15/08/08 às 20:38
Oi Fred, parabéns pelo blog! A Symnetics é uma empresa brasileira com escritórios na América Latina e Europa que vem há 3 anos trabalhando com projetos de co-criação em diversas empresas. Somos representantes de Venkat Ramaswamy (autor do livro “O Futuro da Competição” (editora Campus), que fundou conceito de co-criação). Aproveite para visitar o nosso blog - http://www.financialweb.com.br/blogs/blog.asp?cod=82
Um abraço do André