Entrevista com Tim O’Reilly: “Web 2.0 é aproveitar a inteligência coletiva”.

Por Gilberto Jr, dia 6/12/06. 1 comentário »

tim Tim O’Reilly fala sobre o que é web 2.0, sobre conteúdo gerado pelo usuário e dá algumas explicações muito interessantes sobre a “sabedoria das multidões”.

Confira alguns trechos selecionados e separados por categorias:

O que é web 2.0.

“Muita gente está tentando degradar o termo e transformá-lo em outra versão da bolha das ponto.com original. Não me canso de falar: ‘Não, não, não, há algo muito importante acontecendo aqui!’. Diversas idéias envolvidas na minha concepção de Web 2.0 são consideravelmente difíceis. É ótimo vê-los compreendendo, gradativamente. Até que as pessoas se dão conta: ‘Oh, não se tratam apenas de mashups [combinação de serviços on-line], mas é na verdade uma idéia de aproveitar a inteligência coletiva’. As pessoas estão começando a entender.”

O que é melhor, pagar para desenvolver conteúdo ou conteúdo gerado pelos usuários ?

“As pessoas também reconhecem que, se você oferecer uma pequena contribuição para um trabalho coletivo, não precisa necessariamente ser pago. […] A meu ver, voluntários apaixonados na verdade valem mais do que pessoas pagas. Se você consegui-los, melhor. Se não, pagar as pessoas é uma boa segunda opção. Mas se você olhar os resultados, diria que não funciona tão bem.”

A sabedoria das multidões é confiável ?

“Depende muito de como a técnica é usada. Se for um simples algoritmo de votação, sim. Sites como o digg.com, que permitem que as pessoas sugiram notícias, são facilmente feitos de refém. Mas o Google possui um tipo de elemento de ’sabedoria das multidões’ — ele leva em consideração quantos outros sites conectam-se a uma determinada página. Ao mesmo tempo, ainda há pessoas questionando a qualidade dos resultados. […] O spam é um exemplo da insanidade das multidões. Mas pode também ser combatido pela sabedoria das multidões.

“Leia a história! Há uma versão oficial de quase tudo e que deixa muitos fatos de lado. Está errado. Se isso vale para a Wikipedia, vale na mesma proporção para um livro de escola. A Wikipedia, de modo geral, tem menos probabilidade de ser tendenciosa do que um livro didático. Tudo que fazemos é uma seleção da realidade. As pessoas esquecem disso? Sem dúvida. Essa é uma grande fonte de desordem em nossas sociedades.”

Conteúdo gerado pelo usuário é confiável ?

“Analise a história das comunidades de software livre. A história delas é bem longa, sendo assim um bom exemplo. Elas possuem uma abordagem em camadas e a Wikipedia copiou muito disso, o que explica seu ótimo trabalho. Qualquer pessoa pode fazer uma sugestão, enviar um relatório de falhas, enviar uma correção. Mas isso não é usado a menos que alguém em algum círculo interno diga: ‘Essa é boa, vou aplicar’. E você só é convidado a fazer parte desse círculo interno depois de ter enviado um número suficiente de atualizações consideradas úteis. Assim surgem círculos menores sucessivamente. […] A Wikipedia é boa demais! Lá é possível obter uma explicação concisa e muito bem elaborada de praticamente tudo.”

Se as pessoas forçarem o serviço até o ponto em que pare de funcionar…

“…os usuários irão se afastar. Eric Schmidt [diretor-executivo do Google] costuma dizer uma ótima frase internamente no Google: ‘Não lute contra a internet.’ Quando criar novos serviços, pense: ‘Onde eles realmente querem ir?’. A internet é um pouco como a gravidade. Há truques que se pode usar para combater a gravidade, para voar, mas tudo deve ser feito com perfeição.”

Entrevista completa no G1.

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Digg.com sobreviverá porque é uma comunidade.

Por Gilberto Jr, dia 26/11/06. Deixe o seu comentário »

Boa parte dos sites de web 2.0 brasileiros são muito inspirados no digg.com, por isso eu considero este um assunto muito importante no nosso contexto. No vídeo acima (que eu achei no techcrunch) você pode ver (em inglês) Michele Steele da Forbes, entrevistando Jay Adailson, CEO do Digg.com.

Entre as primeiras perguntas, quando Jay começou a explicar que o digg se trata da “sabedoria das multidões”, que Tim O’Reilly cita ao falar sobre HCI (sigla em inglês para “aproveitamento da inteligência coletiva”), Michele fez uma comparação interessante para descrever o digg: “É como o American Idol para notícias”, disse ela.

Depois eles conversam sobre a audiência do site, que está em torno de 1,5 milhões de visitantes únicos por dia. Dos quais 70% usam firefox.

Questionado sobre uma possível venda do digg para algum grande player (google, yahoo ?), Jay disse que não sabe exatamente quanto o serviço vale, e que ele não está à venda.

Finalmente, o que considero ser mais interessante nesta entrevista: Jay disse que o serviço continuará vivo e crescendo porque é uma comunidade.

Então, na minha opinião, nós temos dois fatores chave para o sucesso do digg.com:

1) Um excelente trabalho no aproveitamento da inteligência coletiva, que faz com que do meio de centenas de artigos inúteis surjam alguns muito bons sem que o serviço pague moderadores para selecionar o que é bom e o que é ruim - podendo manter uma estrutura enxuta e um custo de operação relativamente baixo para um site que está entre os sites de notícia com mais audiência do mundo.

2) Comunidade. Os comentários não ficam escondidos num cantinho, a maioria dos diggs são dados pelos amigos de quem postou a notícia, aparece uma marquinha verde no canto das notícias que um amigo seu “diggou”, enfim, o digg soube fazer do seu serviço, mais do que um jeito de receber e avaliar notícias com a colaboração dos usuários, uma grande comunidade.

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