Conversando com Fred sobre co-criação, parte 3
Por Gilberto Jr, dia 12/02/07. 1 comentário »Comecei um diálogo com o Frederick van Amstel a partir da matéria dele no webinsider. Leia aqui a matéria dele, aqui meu primeiro comentário e aqui a segunda parte da conversa.
Como penso que esta conversa merece bastante mais uma postagem, continuamos abaixo e, a partir daqui, nos comentários desta postagem:
Frederick van Amstel:
Se eu altero a ferramenta que estou usando no momento em que uso, sou co-criador dela, se não posso fazer isso, sou apenas usuário.
A fase de usuário representa um movimento no sentido de reunir os processsos de produção e uso, mas ainda é “design centrado no usuário” e não “design feito pelo usuário”, co-criado com um mediador (designer) ou não.
A co-criação de fato não acontece quando o modelo se baseia na exploração comercial da inteligência coletiva, vide os exemplos no final do artigo original. Mas, o fato de não poder ser explorada comercialmente por uma empresa com fins lucrativos não significa que não seja viável.
A questão da autoria é delicada, pois está diretamente ligada ao lucro. Quem produz ou quem veicula é quem tem que ganhar?
Oi Fred,
Concordo com o que você disse. Quero comentar isso:
“Quem produz ou quem veicula é quem tem que ganhar?”
Aí caímos novamente no objetivo do projeto em questão. Se há co-criação, nos moldes que você descreve, não seria justo que uma só pessoa lucrasse com o trabalho de todos os outros.
Se, por outro lado (o trocadilho aqui não é por acaso), uma empresa tem todo o trabalho de desenvolver o sistema que ajuda os usuários a produzirem conteúdo para seu (do usuário) próprio benefício, é justo que haja no mínimo um compartilhamento, entre a empresa e os usuários, do lucro obtido. É o caso do Adsense, e também do Outrolado.com.br
Mas em casos como a Wikipédia, assim como em outras instituições sem fins lucrativos como organizações religiosas ou ONGs, é natural que a comunidade que se vê estimulada a participar e vê valor no projeto atue também administrando e cuidando de todos os seus aspectos, inclusive a programação de um software, a criação de um site, ou a construção de uma sede física.
Será que a co-criação não pode mesmo ser utilizada por empresas em projetos com fins puramente lucrativos? Qual seria a motivação dos usuários para participarem?
Eu penso que em qualquer destes casos é necessária uma estrutura hierárquica funcional que viabilize a organização da comunidade.



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